Rio+20
Para tentar
explicar melhor o que é Conferência, a ONG Oxfam fez um diagrama em rosquinha.
Ele mostra que a vida humana existe entre um piso e um teto. O piso é a
necessidade social de viver, de ter acesso a alimentação, água e conforto. Mas
o teto é o quanto o ambiente pode fornecer, sem afetar as gerações futuras. Saiba mais...
Economia verde
Mas nada é tão simples quanto parece. Para os países em desenvolvimento, representados pelo G77+China, dependendo de como a economia verde for definida no documento final da Rio+20 pode levar a um comprometimento de adesão a padrões tecnológicos e de condicionantes ao financiamento que eles temem não conseguir cumprir. E além, acreditam que os países desenvolvidos podem usar destas regras para criar barreiras a produtos exportados por eles. O que o G77 defende é um desenvolvimento sustentável que leve à erradicação da pobreza e preservação do meio ambiente, mas sem a obrigação de ser por tecnologias verdes (que podem ser caras e produzidas apenas pelos países ricos).
Já a crítica mais pesada vem de ONGs,
acadêmicos, cientistas e é compartilhada pelo governo brasileiro: a economia
verde se vale do modo de produção e consumo capitalista, apenas tingindo de
verde o que realmente é mais danoso ao ambiente. Assim, não adianta consumir
produtos que gerem menos prejuízo ao ambiente, mas no ritmo desenfreado de
hoje. O fim será o mesmo, só um pouco adiado.
Por
outro lado a questão é: com o empoderamento da população mundial é normal que a
busca por conforto e bens aumente. É certo impedir que um chinês tenha carro
enquanto o americano tem quase mais de um carro por habitante? A solução seria
estimular a mudança do consumo e não só adaptá-lo.
Além disso, outra forte crítica é a
mercantilização dos bens naturais. Uma das ideias da economia verde é
precificar o meio ambiente, como por exemplo, o Brasil receber para manter a
Amazônia em pé e com isso garantir a captura de CO2 e a biodiversidade local. E
o mais difícil, descobrir quanto isso valeria. Para alguns ecologistas, não é
entrando no mercado que o ambiente será preservado.
Os defensores do mercado defendem que a
economia verde tem que ser mais barata do que a marrom para que ela realmente
"pegue", já os ambientalistas defendem a vontade política dos Estados
para impor sua adoção. E a discussão vai longe...
O PIB per capita é um indicador melhor, pois
divide a riqueza do país pelo número de habitantes, mas não mostra
desigualdades sociais. Para medir o desenvolvimento social, o indicador mais
utilizado hoje em dia é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), mas para o
ambiente não há um correspondente.
Um dos objetivos da Rio+20 é trazer um
caminho para a criação deste índice que una as três vertentes e tem sido
popularmente conhecido como índice de felicidade.
Sem protocolos
Com
o fortalecimento de programa da ONU para o meio ambiente, a Conferência deve
mostrar o caminho para se chegar ao desenvolvimento sustentável sem metas com
números.
O que são ODS?
Assim como temos os Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio, com metas para acabar com a extrema pobreza e a
fome, promover a igualdade entre os sexos, erradicar doenças até 2015,
discute-se adotar na Rio+20 os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ele
seria baseado em 26 temas e o prazo seria 2030.
Se todos os temas como energia, segurança
alimentar, erradicação da pobreza, água etc. serão abordados e como serão ainda
é tema para discussão durante a Conferência. Espera-se que não se fechem as
metas propriamente ditas, mas que se abra caminho para defini-las.
Pegada Ecológica? O que é isso?
A
partir das pegadas deixadas por animais na mata podemos conseguir muitas informações
sobre eles: peso, tamanho, força, hábitos e inúmeros outros dados sobre seu
modo de vida.
Com os seres humanos, acontece algo semelhante. Ao andarmos na praia, por
exemplo, podemos criar diferentes tipos de rastros, conforme a maneira como
caminhamos, o peso que temos, ou a força com que pisamos na areia.
Se não prestamos atenção no caminho, ou aceleramos demais o passo, nossas
pegadas se tornam bem mais pesadas e visíveis. Porém, quando andamos num ritmo
tranqüilo e estamos mais atentos ao ato de caminhar, nossas pegadas são suaves.
Assim é também a “Pegada Ecológica”. Quanto mais se acelera nossa exploração do
meio ambiente, maior se torna a marca que deixamos na Terra.
O uso excessivo de recursos naturais, o
consumismo exagerado, a degradação ambiental e a grande quantidade de resíduos
gerados são rastros deixados por uma humanidade que ainda se vê fora e distante
da Natureza.
A Pegada Ecológica não é uma
medida exata e sim uma estimativa. Ela nos mostra até que ponto a nossa
forma de viver está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar
seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos
anos.
Isto considerando que dividimos o espaço com outros seres vivos e que
precisamos cuidar da nossa e das próximas gerações. Afinal de contas, nosso
planeta é só um!
Saiba como é calculada a pegada ecológica e descubra seu
próprio impacto sobre o ambiente
- Consumo de carne e de luz são alguns itens levados em conta no cálculo da pegada ecológica
- Teste se você é ecologicamente esperto
-
Nosso
país tem uma pegada ecológica (impacto negativo ao meio ambiente) considerável:
são 2,9 hectares globais por habitante (gha), sendo que o ideal é 1,8 gha.
A cidade de São Paulo, por exemplo, consome 100 vezes mais recursos naturais do
que consegue produzir, segundo um estudo divulgado na Rio+20, Conferência da
ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre de 13 a 22 de junho, no
Rio de Janeiro.
Seu
impacto
E você, sabe qual o seu impacto sobre o
meio ambiente? A Global Footprint Network, organização internacional voltada
para a promoção da sustentabilidade, criou uma ferramenta para que cidadãos
comuns sejam capazes de medir sua pegada ecológica. O cálculo envolve a análise
de hábitos como consumo de carne, gasto de luz em casa, distância percorrida de
carro por dia e número de viagens de avião no ano, entre outros.
Alimentação
© WWF-Brasil / Mens
Por isso, evite alto consumo diário de proteínas (carne animal), de produtos
industrializados e de fast food. Além de uma dieta mais saudável, você irá
evitar a produção de muitas embalagens, que logo viram lixo.
Além disso, é importante lembrar que 60% da água doce disponível em nosso
planeta é destinada à produção de alimentos. Veja na tabela abaixo a quantidade
de água necessária para a produção de alguns deles:
Hábitos
© WWF-Brasil / Mens
Todos
os nossos hábitos de moradia, alimentação, consumo, locomoção têm relação
direta com a utilização dos recursos naturais, assim como nossas opções de
lazer. Divertir-se é algo fundamental para a boa qualidade de vida, mas o lazer
e o turismo predatório são responsáveis por algumas das mais visíveis Pegadas
deixadas pelo homem no ambiente: a degradação de inúmeras paisagens em
litorais, montanhas e cidades históricas.
Procure conhecer as chamadas “viagens sustentáveis”, nas quais o transporte e a
estadia são coletivos, a mão de obra local é valorizada, assim como o
artesanato e as comidas típicas da região. Da mesma forma, no lazer urbano, é
importante valorizar o contato com a Natureza, visitando parques, estações
ecológicas, e evitar a geração de grande quantidade de lixo.
A coleta seletiva também pode contribuir bastante na redução de sua Pegada. O
lixo de ser separado e entregue em Pontos de Entrega Voluntária (PEV) ou aos
catadores e às cooperativas de reciclagem.
O
excesso de hábitos consumistas é um dos fatores que mais contribui para o
esgotamento das reservas naturais do planeta. Sendo assim, evite substituir
aparelhos que agregam alta tecnologia desnecessariamente e reduza o consumo de
produtos descartáveis. Além de reduzir sua Pegada, esses hábitos vão fazer bem
para seu bolso!
Procure adquirir produtos “verdes”, de empresas que estejam envolvidas em
programas de responsabilidade socioambiental e certificadas com o ISSO 14000
(certificação ambiental).
Ao comprar carvão, verifique na embalagem se o produto é registrado no IBAMA.
Quando não há registro, a madeira usada para produzir o carvão é de origem
ilegal, o que significa que parte de alguma floresta foi cortada e queimada sem
autorização.
Quando comprar palmito em conserva, verifique no rótulo o número de registro no
IBAMA. Não compre, caso não haja este registro, pois a retirada deste recurso
da floresta foi ilegal.
Não compre orquídeas e bromélias à beira das estradas, pois podem ter sido
retiradas da floresta, de forma predatória. Prefira plantas vendidas em lojas e
supermercados, cultivadas por produtores legalizados.
Ao comprar móveis e madeiras, dê preferência aos que são feitos de pinho e
verifique se o comerciante possui documentos de que a madeira é certificada com
o selo FSC. Mais informações, visite o site www.fsc.org.br
Nunca compre animais silvestres. Caso queira adquiri-los, certifique-se de que
sua criação tem certificação do IBAMA.
Será que em sua escola, clube ou trabalho as pessoas participariam de compras
solidárias? O comércio ético e solidário é muito mais do que um movimento que
valoriza as pessoas e a cultura. Hoje em dia ele é visto como uma ferramenta
efetiva de desenvolvimento local, que contribui para a fixação das comunidades
nas áreas rurais, buscando reverter o quadro atual em que cerca de 80% da
população mundial se concentra em áreas urbanas.
Você sabia que o comércio ético e solidário vem crescendo ano a ano? Ele reúne
os segmentos de produtos orgânicos, certificados ou naturais, artesanato,
terapias alternativas, turismo responsável e outros setores. Então, entre nesta
onda e consuma produtos do comércio ético e solidário. Você estará colaborando
para reduzir a desigualdade social e promover o desenvolvimento econômico no
rumo da sustentabilidade.
Moradia
© WWF-Brasil / Mens
Procure identificar vazamentos em sua casa ou no seu bairro, evite o uso da
mangueira para limpar calçadas ou lavar o carro e junte roupas para lavar e
passar. Verifique também em sua conta de água o total de metros cúbicos mensais
e divida este número por 30 dias e pela quantidade de pessoas que moram em sua
casa. Assim, além de reduzir sua Pegada,
você poderá conhecer sua média individual de consumo de água diária.
Você pode poupar energia e água por meio de simples práticas caseiras, como
isolamentos térmicos, utilização de lâmpadas fluorescentes e aparelhos
elétricos e eletrônicos com o selo PROCEL, pois estes consomem menos energia.
Desligue aparelhos, inclusive da tomada, quando não estiverem sendo utilizados.
Reduza o uso do ar condicionado, privilegie sempre a iluminação de ambientes
com luz natural e procure utilizar as escadas em vez do elevador.
No Brasil a maior parte da energia consumida é produzida por hidrelétricas, que
exigem, para seu funcionamento, a construção de grandes barragens. Dessa forma,
torna-se necessário represar rios e inundar áreas, reduzindo as florestas,
impactando a vida de milhares seres vivos, retirando comunidades de suas terras
e alterando os climas locais e regionais.
O uso do avião também deve ser repensado. Um avião em uma viagem do Brasil à
Europa despeja uma quantidade de carbono na atmosfera que um carro, percorrendo
30 km por dia, produziria em mais de dois anos. Dessa forma, reveja seus
itinerários e a necessidade de viajar. Reuniões de trabalho, muitas vezes,
podem ser realizadas via teleconferência, evitando grandes deslocamentos.
http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2012/06/16/saiba-como-e-calculada-a-pegada-ecologica-dos-paises-e-descubra-seu-impacto-sobre-o-meio-ambiente.htm
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/especiais/pegada_ecologica/